Quando a nossa memória falha

A nossa memória é seletiva. Todo dia, muita coisa é armazenada em nossa mente, no entanto, nos momentos difíceis da vida, poucas coisas são trazidas à tona. Geralmente somente os problemas.  Na hora da provação, esquecemos de todas as bênçãos que a espiritualidade nos concedeu. E agimos como se nossa vida fosse apenas sofrimento. Mas isso não é verdade.

De fato, você tem passado por sérias dificuldades. A vida não está lhe parecendo fácil. E cada um está carregando a sua cruz. Os nossos problemas, contudo, alteram nossa percepção da realidade. É como se eles se posicionassem bem na frente dos nossos olhos e impedissem de ver a situação como um todo. Como se, no universo inteiro, existisse somente este problema e nós fôssemos os únicos que conhecessem o que realmente significa sofrer. Mas não é bem assim.

Isso acontece porque deixamos nossas emoções nublar nossa visão da realidade. E nossa memória é afetada nesse processo. Esquecemos, por exemplo, que, no passado, passamos por diversas situações que pareciam gigantes, extremamente dolorosas, sem nenhuma saída. Mas que, de alguma forma, sobrevivemos, e hoje elas parecem tão menores. Há certas situações do passado que nos faz rir de nós mesmos por termos nos preocupado tanto na época. De uma forma ou de outra, o tempo se encarregou de resolver a situação.

Desse modo, nos momentos de provação, é importante nos atentarmos à nossa memória. Observar como ela reage às dificuldades da vida, o que está sendo trazido à tona. Buscar, contudo, lembrar das coisas boas, dos ensinamentos, das pequenas provas da espiritualidade, nos momentos de dúvida, desânimo e insegurança não é realmente fácil. Por este motivo, é necessário exercitarmos a memória positiva. E temos sim memórias positivas para lembrar, porque todo dia há alguma coisa para agradecer.

E como fazemos isso? Sendo menos automáticos e mais conscientes. Lembrar de forma ativa, e não deixar nossas emoções escolher livremente o que trazer e o que não trazer à nossa mente. E para fazer isso, é preciso fazer uma espécie de “reprogramação” de nosso cérebro. O que é, a princípio, mais fácil falar do que realmente fazer, porque, de imediato, nosso controle sobre a mente é muito limitada. Para se obter isso, precisamos prática, muita prática. Vamos falar de algumas simples que podem ajudar muito.

1) Contrapeso: toda vez que lhe vier uma memória ruim, evoque uma memória boa. Seja específico. Se for uma lembrança negativa sobre uma pessoa, encontre uma lembrança positiva sobre ela. O mesmo para as diferentes situações, projetos, trabalhos, sentimentos. Trabalhe com os opostos, e vá plantando bons pensamentos.
2) Reforço: se está passando por um momento difícil, sente que está sem saída, busque, nas memórias, outros momentos de dificuldade e como você foi capaz de sobreviver e superar. Lembre-se, também, dos ensinamentos da espiritualidade. Para tudo há uma razão, cada dor traz uma lição, e que as forças divinas te acompanham e te amparam todo dia.
3) Evocação: se a está lhe faltando e o desânimo te abalando, lembre-se das pequenas bênçãos de cada dia. Traga isso à memória sempre que a dúvida lhe assaltar.
4) Conhecer: não esqueça sua verdadeira natureza. Você não veio a essa vida à passeio. Você é um espírito temporariamente preso a um corpo vivenciando diversas experiências para a sua evolução. A vida é eterna, a morte física é certa e a lei de causa e efeito vigora. Então, quando algo pesar seu coração, pergunte-se se você não está gastando energia demais em algo que, no fim, não fará diferença.
5) Oração: a prática constante da oração mantém presente a espiritualidade em nossa consciência. Mais informações aqui e aqui.
6) Meditação: a meditação é uma das mais simples e eficazes práticas para exercitarmos a consciência sobre nossos pensamentos, ações e palavras. Ela, por si própria, é capaz de nos levar à iluminação. Tem a força e o poder de alterar os padrões de nossa memória. Se tudo mais você esquecer, apenas medite. Basta. As portas do universo lhe estarão abertas.
7) Agradecer: com algumas exceções, provavelmente você tem alimento, água, abrigo. Tem um céu para olhar, ar para respirar, o Sol para sentir. Oportunidade para aprender, estudar, desenvolver-se na espiritualidade. Pessoas para conviver. Há muitos motivos para agradecer, lembre-se deles ao fim de cada dia.

São pequenas práticas que aos pouquinhos vão ajudando você. Há muitas outras. Elas vão te auxiliar a escolher o que lembrar. Evocar o que for positivo, perdoar o negativo. Não esqueça, entretanto, que tudo tem o seu tempo. Enfim, o sofrimento vem para nossa própria evolução, pois ele é uma ferramenta excelente para marcar nossa memória: isso é errado, isso é correto. É possível, porém, evoluir com alegria, ou pelo menos sem sofrer tanto. Para isso, é preciso deixar a teimosia de lado e pôr em prática o que aprendeu.

“Leve na sua memória, para o resto de vida, as coisas boas que surgiram no meio das dificuldades. Elas serão uma prova da sua capacidade de vencer as provas e lhe darão confiança na presença divina, que nos auxilia em qualquer situação, em qualquer tempo, diante de qualquer obstáculo”. CHICO XAVIER

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Não há mais espaço para submissão cega e inquestionável

Estamos na era informação. Os saberes estão disponíveis para nós. Mesmo que aquele mais próximo de nós tente nos impedir o saber, há sempre outro disposto a ensinar. Qualquer assunto está apenas a um clique de distância. Desse modo, os novos adeptos dos diferentes caminhos da espiritualidade não engolem qualquer informação.

Não há mais espaço para aquele discurso do tipo “apenas aceite a verdade que lhe é ensinada”. As coisas têm que fazer sentido. As pessoas sentem a necessidade de entender porque fazem o que fazem. Aspiram a compreender qual é o fundamento por trás daquilo que vivenciam. E isso é muito benéfico, uma vez que a jornada espiritual, atualmente, é mais particularizada.

Os modelos rígidos e autoritarios de espiritualidade estão se deteriorando, dando espaço a uma versão mais pessoal e leve de evolução. A fé cega é substituída pela vivência racionalizada da mesma. Ainda há a entrega para uma entidade superior, mas isso somente é feito porque o conhecimento permite e alimenta a confiança numa Força Maior. A individualidade pede expressão.

Não basta mais apenas se integrar a uma organização religiosa, seguir sua doutrina e dogmas, assimilar seus saberes e valores; a espiritualidade contemporânea anseia por uma experiência pessoal com essa religiosidade, contato íntimo com Deus. Porque não sendo ninguém igual a ninguém, a essência divina presente em cada um deseja manifestar-se plenamente, em seu brilho e originalidade. Portanto, não há mais espaço para autoritarismo.

Isso não significa, contudo, abandonar a hierarquia e nem disciplina. A hierarquia é importante porque para lidar com o espiritual exige-se conhecimento e preparo, para a segurança de todos os envolvidos. No entanto, a hierarquia é de experiência, do mais novos aos velhos, e não do menos evoluído ao mais evoluído. Dirigir, liderar, é uma condição, uma função assumida, e não sinal de superioridade. Nesse mesmo sentido, a expressão de nossa individualidade e naturalidade não anula a necessidade de cultivarmos a disciplina. Isto significa, acatarmos uma autoridade porque a reconhecemos e a aceitamos, e não imposta pelo medo e ignorância. E também a necessidade autodisciplina, capacidade de pôr em prática nossos planos e projetos, apesar das emoções.
Disciplina, no entanto, não é sinônimo de ter que aceitar tudo. Ninguém é obrigado a aguentar um líder grosso, estúpido, autoritário. É a Deus que nós servimos. É a Verdade que buscamos. O dirigente é apenas aquele que possui mais experiência e preparo, e que, portanto, responsabiliza-se por organizar o serviço à espiritualidade. É fruto da verdadeira autoridade, conquistada pelo tempo e pelo exemplo.

É necessário, portanto, o equilíbrio entre liberdade e disciplina. Nem liberdade demais, onde cada acha que pode fazer o que quiser, nem disciplina demais, resultando numa organização autoritária. As pessoas precisam encontrar um espaço onde haja um fundamento, princípios básicos norteadores, a partir da qual será organizada coletivamente o contato com o divino. E precisam, também, encontrarem condições para construir suas próprias experiências íntimas com a espiritualidade. É importante que se sintam valorizadas, respeitadas, possam ter iniciativa e participarem ativamente.

Vamos se apegar ao que há de verdadeiro e essencial. Alimentar nossa essência e permitir que nosso brilho interior se expresse. A espiritualidade é, antes de tudo, uma relação íntima com o divino. Vamos respeitar a hierarquia e os mais velhos quando estivermos inseridos em algum agrupamento espiritual, mas não autorizar que esse agrupamento apague nossa chama.

Vamos falar sobre a caridade

Todo mundo que participa de algum dos diferentes grupos espiritualistas já ouviu falar da tal de caridade. Apesar disso, não podemos deixar de falar sobre ela, devido a sua fundamental importância no caminho da espiritualidade. Por mais banalizada que ela tenha se tornado nos discursos de alguns, é importante desenvolvermos este tema. E praticá-la. Vamos, nesse pequeno texto, fazer algumas breves considerações sobre a caridade.

Uma coisa é certa. Caridade não é apenas dar esmolas, oferecer comida, arrecadar roupas, visitar os doentes. Todas essas ações são muito importante, mas há mais na caridade além disso. Algumas vezes apenas ouvir alguém já é uma forma de ajudar o próximo.

Há muitas formas de se fazer a caridade. E cada um tem a sua forma de fazê-la. Todo mundo está em condições de ajudar o próximo de alguma forma, nem que seja apenas com uma oração.

A caridade verdadeira não busca atenção e nem reconhecimento. É aquela realizada apenas pelo prazer de ajudar, de servir a Deus e crescer no caminho da espiritualidade. E não é preciso muito para isso. Mais vale o serviço contínuo, regular, do que algum evento especular. A caridade é simples. E ela deve ser feita com humildade. Aquele que ajuda não é superior àquele que está sendo ajudado. Lembre-se de que será mais cobrado daquele que sabe mais.

Não é necessário também grandes quantidades de pessoas para ser considerado uma caridade. Uma pessoa que você ajuda já é muito. Porque todo mundo é uma expressão divina. Todo bem cultivado é multiplicado. À medida que você ajuda alguém a crescer, chegará o momento em que ela também encontrará condições para fazer a caridade dela.

Deve-se tomar cuidado, contudo, para não se machucar no processo. A caridade é primeiro consigo mesmo. Temos que estar bem, firmes, seguros primeiro. No entanto, não precisa esperar a perfeição também. Tudo no seu tempo, no tempo da espiritualidade, que algumas vezes pode ser lento, em outros, extremamente rápido.

A caridade, também, não é feita somente dentro do espaço religioso. Às vezes falamos tanto sobre ajudar os outros e esquecemos-nos daquela pessoa dentro da nossa família que está necessitando de nossa atenção. A caridade tem ser estendida ao nosso cotidiano, deve ser praticada, também, com aqueles com que convivemos diariamente. Temos certa responsabilidade com essas pessoas.

Para fazer o bem, é preciso força de vontade. Para fazer o mal, basta sermos negligentes e não fazermos nada. Temos que buscar construir em nós essa fortaleza interior. Cultivar uma boa disposição de ânimo com todas as criaturas. Desenvolvermos a doçura e a firmeza nas palavras. Colocarmos-nos à disposição da espiritualidade.

Os relacionamentos pessoais e a espiritualidade #2

Caso ainda não tenha feito, você poder ler a primeira parte do texto aqui.

Há muitas lições para serem aprendidas nos nossos relacionamentos com os outros. Muita coisa para ser trabalhada, não somente dentro de nós e dentro do parceiro, mas nas próprias relações sociais. E, da perspectiva da espiritualidade, não podemos diminuir a importância de buscarmos relações mais saudáveis e harmônicas com nossos parceiros, família e pessoas do nosso dia-a-dia. Crescer espiritualmente é permitir que o amor cresça dentro de você, e é no contato um com o outro que o amor pode se expressar.

No entanto, na prática, tudo é mais complicado. Brigas, discussões, ressentimentos, mágoas fazem parte do cotidiano de um relacionamento. E muitas vezes ficamos sem esperança, querendo que o outro mude, mas duvidando que isto seja possível. Porém, é por aí que reside o problema. Vamos tentar entender.

Idealizamos muito. Imaginamos uma relação perfeita, com príncipes e princesas encantadas, onde os detalhes são exatamente como queremos. Mas não é assim que a realidade funciona. Em vez de aceitarmos ela, trabalharmos a partir dela, tentamos encaixar os outros nos nossos padrões.

Primeira coisa: ninguém muda ninguém. Você consegue até influencar alguém de alguma forma, seja positiva ou negativamente, mas não pode forçá-la a ser o que ela não é e não quer ser. Você precisa primeiramente transformar a si mesmo. Ser o exemplo. Nada inspira melhor a outra pessoa a melhorar do que um exemplo vivo ao seu lado.

Temos que parar de idealizar. Aceitar que ninguém é perfeito. Não querer encaixar nossos relacionamentos nos modelos que vemos nos filmes, novelas, livros, etc. Cada de um de nós traz muitas bagagens para o relacionamento, e não é fácil simplesmente jogar tudo fora. Antes, vamos aprender a deixar se desenrolar em sua naturalidade.

Mas vamos repetir aqui a ressalva do texto anterior: tudo isso dentro do que é saudável e razoável. Se alguém nos agride constantemente, seja fisicamente, seja emocionalmente, o caminho correto é nos afastarmos dessa pessoa, por amor a nós mesmos. Porque Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos.

Não podemos esquecer de nós próprios. Perder-se no meio de uma relação. Tentar tanto agradar a pessoa que deixamos de lado nossas necessidades. É necessário o meio termo. Saber equilibrar, de um lado, o quanto você cede, aquilo que você abandona para que o convívio possa fluir, e, de outro, o auto amor. Esqueça aquela história de duas metades que se completam. Somos inteiros que se somam.

É necessário amor próprio para um relacionamento saudável. Não devemos colocar todas as esperanças no outro, achar que ele é o salvador da pátria que vai, ou deve, resolver todos os nossos problemas. No entanto, não é necessário ser perfeito para ter um relacionamento com alguém e amá-lo. Nós devemos caminhar para frente apesar dos defeitos, melhorando o que tiver que melhorar no meio da jornada.

Nos relacionamentos, há também muitas pendências cármicas para se resolver. Muitas vezes, com aquela pessoa ali que quebramos a cabeça tentanto aprender a conviver, tivemos problemas nas vidas passadas. Principalmente nas relações entre pais, filhos, irmão. E nessa vida, viemos juntos para aprendermos a nos perdoar. Pode acontecer, por exemplo, que aquele irmão que temos tantas brigas e discussões, também tivemos problemas com ele no passado. Talvez tenhamos traído ele, ou feito coisa pior. E agora estamos juntos como irmão, pai e filhos, primos, etc., para nos aproximarmos e resolvermos nossa diferença. Não é a toa que esquecemos a vida passada, mas esse é assunto para outra postagem.

Aprendemos com as gerações passadas muitas formas de se conviver que não são muito saudáveis. E também, por outro lado, esquecemos-nos de muita coisa importante. Por isso é importante estudarmos, pesquisarmos, experimentarmos, buscarmos formas cada vez mais saudáveis e harmônicas. Temos que curar nossas relações.

Por fim, entender que faz parte do aprendizado também reconhecer o fim. Quando não há mais união. Não ficar preso a um relacionamento que só te machuca. Quando você já tentou de tudo e as coisas não vão para frente. As pessoas mudam. Vocês crescem um com o outro. Um ensina o outro. Temos que aprender a lidar com isso.

A vida vai continuando. E nós, a cada dia, vamos aprendendo a conviver um com o outro.

 

A importância de orar ao acordar e antes de dormir

A oração é uma ferramenta poderosa à nossa disposição para entrarmos em contato com o Divino. Por meio de sua prática regular, há uma série de benefícios que são gerados para nós e por nós. Neste texto, contudo, quero falar especificamente do valor da prece realizada ao acordar e ao dormir. Primeiro, vamos relembrar um ponto muito importante.

Somos todos vibração. Energia em movimento, que molda e se molda a nossa volta. Quando o nossa padrão vibratório está elevado, temos um dia mais agradável. Sabemos lidar melhor com os pequenos problemas do dia-a-dia e dificilmente algo perturba nossa paz. No entanto, quando o padrão vibratório está menor, é discussão para todo lado, briga, irritação, desânimo, e tudo o que menos gostamos. Um dos aspectos de crescer na espiritualidade é justamente trabalhar nessa vibração interna que constitui todos nós. Tornar o bom pensamento o comum. Nesse caso, a oração se faz uma excelente ferramenta e estratégia para agir em nosso padrão energético.

A espiritualidade pode ser vivida de uma forma simples. Antes de pensarmos coisas avançadas, magias, simpatias, rituais, cerimônias, entre tantos outros elementos, com sua devida importância e respeito, não podemos ignorar que em muitas ocasiões, uma oração com fé já faz muita coisa por nós. Não podemos esquecer o básico. E não há nada mais básico na espiritualidade do que uma prece,

Quando acordamos e fazemos uma prece, primeiramente, elevamos nosso pensamento. Seja lá o que estávamos pensando ou sentindo, se despertamos com bom ou mau humor neste momento estabelecemos um canal com com as vibrações mais elevadas. Nosso pensamento, em alguma medida, purifica-se. Recebemos boas energias. E nos preparamos para o dia. O que quer que tivermos que enfrentar ao longo do dia, teremos mais forças para isso. Já mudamos o desenrolar dos acontecimentos com esta prece.

Além de que, com a oração, fortalecemos nossa sintonia com as forças divinas e enfraquecemos a ação das entidades que buscam nos perturbar. Isso é muito importante. Se você não vigiar o seu pensamento, passará o dia inteiro sentindo a influência dessas entidades tentando soprar maus pensamentos na sua cabeça e discórdia no seu coração. A oração cria um escudo protetor contra isso. E nos ajuda a ter mais calma e consciência nas situações desgastantes de cada dia.

A prece ao amanhecer te faz lembrar de Deus e daquilo que é importante para você. Portanto, você já não agirá automaticamente. Você não se comportará mais da mesma forma. Porque você está trabalhando nas camadas mais profundas da sua mente. O momento em que acordamos e quando vamos dormir são estratégicos para atuarmos em nosso padrão vibratório, porque o nosso inconsciente fica mais acessível, principalmente quando estamos com sono. Os princípios e valores morais têm mais força para penetrar nossa consciência. Dessa forma, plantamos bons pensamentos que se manifestarão mais rapidamente.

E muito acontece também na oração feita antes de dormir. Ao longo do dia nos envolvemos com inúmeras ocasiões conflituosas e acumulamos muito sujeira emocional. É importante nos desligarmos disso antes de dormir e a prece ajuda nisso. Nosso pensamento marca onde vamos parar durante nosso desdobramento, que dimensões e companhias nossa alma visitará durante o sono.

Isso se acumula para o dia seguinte. Quando dormimos com uma boa vibração, e durante o desdobramento, visitamos bons lugares, acordamos muito melhor e com um ótimo humor. O dia seguinte fica melhor em muitos aspectos.

Por fim, a oração antes de dormir e ao acordar marca regularidade com a espiritualidade. O processo de amadurecimento espiritual é lento e demorado. Um passo de cada vez. É como uma planta que precisamos cuidar e cada dia que fazemos nossa prece regamos e nutrimos essa planta. Até que ela se torne uma árvore formosa e possa nos abrigar e nos dar frutos.

A oração aproxima você da fonte da vida. A prece, feita com fervor, liga, você, à fonte da energia que criou e mantém a Vida. Supre você de forças novas. Defende o seu espírito. Isola-o das projeções de pensamentos negativos. Faz de você uma fortaleza. Tudo depende de seu impulso amoroso. Se for honesto e forte, Deus o suprirá de tudo o que necessitar. Ore com determinação. Confie na grande usina do amor. Ela lhe responderá na medida da intensidade de sua prece. Faça-a um hábito diário. Nela, agradeça sempre. Confiar na eficácia da prece é confiar em Deus”. Gotas de Esperança – Lorival Lopes

Os relacionamentos pessoais e a espiritualidade

Os relacionamentos pessoais são um campo doloroso de experiência e aprendizado. É um aspecto essencial da vida humana, e algumas vezes realmente não é fácil de se lidar. No entanto, não somente são necessários para nossa vida, como constituem uma oportunidade insubstituível para nosso crescimento moral e espiritual. Vamos tentar entender um pouco.

Como dito em outro texto, nós, seres humanos, somos criaturas que vivemos em sociedade, em diferentes agrupamentos sociais. De uma forma ou de outra, somos levados a nos relacionar uns com os outros, caso contrário, dificilmente sobreviveremos materialmente. A grande questão é, exatamente, como nos relacionarmos de forma saudável com o outro. Uma vez que, quando entramos em contato com o próximo, colocamos em contato também o nosso próprio ser com o personalidade do outro. Há choque de egos.

É quando estabelecemos esse relacionamento que o nosso próprio EU é questionado e nossos defeitos e qualidades se manifestam. Nosso lado negativo ganha destaque quando fazemos este contato. E, da mesma forma, o lado negativo das pessoas com que convivemos. Principalmente quando se trata de relacionamentos íntimos, com nossos parceiros, filhos, irmão ou pais. Nesse caso, tudo isso é intensificado e nosso lado negativo fica, muitas vezes, escancarado.

O outro muitas vezes é espelho. É muito mais fácil olhar o defeito do outro do que o nosso. No entanto, o que acontece, é que projetamos, inúmeras vezes, nossos próprios vícios no outro. E a nossa mente tende a ficar focando, enfatizando e reforçando esses defeitos. Por este motivo, é necessário a vigilância constante, porque é nesse momento que devemos exercitar a disciplina do pensamento.

Não somos perfeitos. Nenhum de nós, encarnados neste plano, é. Se estamos aqui na Terra, é porque há lições que devemos aprender. O que torna todos nós, em um sentido, iguais: ninguém é mais que ninguém, ninguém é menos do que ninguém. Devemos, por isso, aprender uma difícil lição: amar o outro apesar dos seus defeitos.

É claro que isso dentro do que é saudável e razoável. Se alguém nos agride constantemente, seja fisicamente, seja emocionalmente, o caminho correto é nos afastarmos dessa pessoa, por amor a nós mesmos. Porque Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos.

Feito essas considerações, vamos voltar ao assunto. Temos que aprender a lidar com os defeitos dos outros. Não é fácil. Mas é por aí que caminha a nossa evolução espiritual. No interior dos nossos relacionamentos. É muito mais fácil sermos tranquilos e pacientes sozinhos dentro do nosso quarto, mas a verdadeira paciência e tranquilidade está em não deixar aquela pessoa do seu trabalho ou da sua família abalar seu equilíbrio emocional e mental. Aprender a respirar naqueles momentos de grande nervosismo e não agir automaticamente, não sintonizar na mesma vibração daquela briga, não permitir que o estado emocional do outro determine o nosso estado emocional. É no meio de todo campo de experiências que os relacionamentos oferecem que podemos pôr em prática o amor, a paciência, a tolerância, o respeito às diferenças, a compaixão, entre muitos valores as quais buscamos.

Os relacionamentos pessoais apresentam-se para nós, portanto, como  uma oportunidade única de nos conhecermos. Descobrir o lado sombra que habita em nós que muitas vezes desconhecemos. Oportunidade de aprendermo a colocar mais consciência nos nossos pensamentos, palavras e ações. É um processo de autoconhecimento e autotransformação, cujo resultado é alcançarmos a versão mais evoluída de nós mesmos.

Que possamos todos nós harmonizar e curar nossos relações! Que possamos estabelecer relacionamentos cada vez mais saudáveis! E que possa o amor prevalecer.

As práticas espirituais e a transformação de nossa consciência

Vamos começar a entender. A nossa consciência, como um todo, é muito complexa. Há muitas camadas nela e temos pouco acesso a elas. A maior parte do que está guardado no interior da nossa mente não se apresenta a nós o tempo todo. Fica escondido dentro de nossa cabeça. E não temos muito controle sobre o que há ali, e muitas vezes nem conhecimento do que está armazenado em nosso inconsciente.

Há um padrão de comportamento, pensamento e sentimento mais ou menos cristalizado em nossa consciência. Tudo o que acumulamos ao longo de nossas encarnações formam este padrão e este padrão molda nossa relação com o mundo e com nós mesmos. É por isso que não é tão fácil sermos uma pessoa mais evoluída. Sabemos, por exemplo, que precisamos perdoar o próximo, mas aquela mágoa e as lembranças sempre voltam para pertubar a nossa paz. Queremos ser mais amorosos no nosso dia-a-dia, porém, quando nos damos conta, estamos discutindo com o parceiro. Desejamos ir atrás dos nossos sonhos, no entanto, muitas vezes o medo e a insegurança sabotam a nossa iniciativa. Isso porque há uma larga parte de nós mesmos que foge ao nosso controle em um primeiro momento. É este padrão que herdamos de nós mesmos, fruto de tudo o que fomos no passado.

Queremos ser boas pessoas, e tomar para si este primeiro objetivo é o primeiro passo, mas não basta apenas escolher. Não mudamos do dia para noite. Porque há muita coisa guardada dentro de nós que precisa ser limpada, e essas coisas guardadas influenciam diretamente nossa atitudes, sentimentos, pensamentos.

As práticas espirituais, nesse ponto, revelam-se como uma forma estratégica de acessar as camadas mais profundas de nossa consciência e de nela agir. O pensamento, a atenção, os sentidos, a emoção, entre outros elementos que constituem a multiplicidade de práticas espirituais que existem por aí, são chaves que abrem as portas de nossa mente. E elas são capazes de alterar, purificar e tornar flexível estes padrões. Como já falado anteriormente, tudo o que pensamos, alguma hora volta a nossa mente, e quando realizamos alguma prática espiritual, as boas vibrações penetram as camadas da consciência transformando o negativo em positivo por onde passa. Com as práticas, temos a nossa disposição uma ferramenta para internalizarmos os valores que nossos mestres espirituais nos ensinaram e elevarmos nossa vibração.

Mas há de se compreender que não ocorrem mudanças bruscas. É de pouquinho em pouquinho que a transformação da nossa consciência vai acontecendo. É muita coisa para se limpar e tudo está ali há muito tempo. É como se tívessemos que plantar uma árvore desde a semente e cuidar e rega-la até ela crescer em sua formosura. Leva tempo, leva anos. A repetição é a chave. É um passo de cada vez, e a cada dia não se pode dar muitos passos. O processo é lento.

E o que pode ser definido como prática espiritual? Ora, muita coisa. Uma oração, canto, meditação, agradecimento, passe, mantra, defumação, caridade, e por aí vai. A lista é grande, pois o Pai Maior nos abençoou com uma variedade de caminhos para alcançá-lo. Tudo o que eleva nossos pensamentos, que faz a sentir e receber a vibração positiva, que nos impulsiona a ser uma pessoa melhor realiza este trabalho de transformação e purificação da nossa consciência.

No entanto, é necessário muita firmeza e paciência, pois há muitas pedras que tentam nos tirar do caminho. Disciplina para irmos além das nossas emoções e desejos quando necessário. E a prática constante para mantermos conectado com o divino. Mas, na medida em que esta árvore vai crescendo, os nossos padrões de comportamento, pensamento e sentimento vão se transformando também. Vamos nos tornando outra pessoa, e trazendo paz, luz, harmonia à nossa vida. Nossa consciência se amplia a horizontes que nem imaginávamos existir. E vamos nos aproximando do Alto.

“Tudo o que somos é resultado do que temos pensado. A mente é tudo. Nós nos tornamos aquilo que pensamos”. Buda