A LEITURA COMO UMA FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

A leitura é mais uma ferramenta à nossa disposição em nossa jornada de autoconhecimento. Não são poucos os benefícios que ela nos oferece. Quem a tem como prática regular sabe o seu valor. Com fonte de vasta sabedoria e conhecimento, ela pode efetivamente nos transformar, permitindo-nos não repetir os erros alheios. Ela é uma das chaves para compreensão do que é o mundo espiritual. Vamos buscar entender.

O hábito da leitura amplia constantemente nossa consciência. Oferece, sobre um mesmo assunto, uma multiplicidade de pontos de vista. E isso é muito importante para o nosso desenvolvimento espiritual, o contato com muitas verdades. Ela alarga nossos horizontes. Faz com que aquilo que era dado como certo e errado, aos poucos, com o contínuo estudo, vá se solapando. Porque há muitos caminhos e saberes disponíveis e, com o tempo, temos que firmar o nosso.

Por meio do estudo, vem a compreensão daquilo que exercemos na prática. Não apenas uma repetição dos nossos antecessores, mas o entendimento das ações realizadas. Ela propicia o aprendizado dos princípios pelos quais são criadas as atividades para a espiritualidade. Isso contribui diretamente para o nosso discernimento: saber separar o que é bom para nós do que não nos faz tão bem, possibilitando, dessa maneira, tomar melhores decisões. Porque nem tudo convém.

A leitura, também, coloca-nos em contato com mensagens edificantes, que nos inspiram a autotransformação. Essa inspiração converte-se em bons pensamentos, que penetram nas profundas camadas da consciência, removendo um pouco da sujeira que encontra em seu caminho e, no final, plantando luz. É mais uma maneira de nos dedicarmos à nossa essência espiritual.  Porque tendemos a esquecer os princípios da espiritualidade que nos propomos a seguir e esta atividade constante mantém viva em nossa mente nossos ideais mais elevados.

O saber, quando bem fundamentado, dá qualidade à nossas atividades, assegurando que atuamos melhor frente às dificuldades de cada dia. A leitura, embora não seja a única fonte de conhecimento e sabedoria, é um excelente instrumento para esse propósito. E, nos dias atuais, ela está disponível em larga escala para a usufruirmos.

A leitura é um alimento para a mente, pois desenvolve amplamente suas faculdades. É um hábito sadio para o amadurecimento das ideias. Mas não basta apenas ler, é preciso colocar em prática o que aprendeu. Dar um sentido prático ao nosso conhecimento. Torná-lo uma força atuante em nossa vida. E para isso não precisamos estar em posse  dos conhecimentos mais ocultos e elevados do universo, o simples é suficiente. Porque todo mundo sabe alguma coisa e esta alguma coisa abre a possibilidade de fazer muito bem para si e para o próximo.

A excessiva leitura, em desequilíbrio, pode, entretanto acarretar alguns problemas. O maior é arrogância intelectual, daquele que se considera maior do que os irmãos por acreditar saber mais que eles. Deve-se frisar que a leitura não é a única fonte de conhecimento e sabedoria. Não nos torna, necessariamente, mais espiritualizados, uma vez que ela não substitui o amadurecimento moral. Em se tratando de desenvolvimento espiritual, a reforma íntima ainda é a primeira tarefa. A leitura é apenas mais um instrumento a favor disso.

Deve-se tomar o cuidado, também, de não nos perdemos em meio à diversidade de perspectivas que a leitura nos apresenta. É necessário ser criterioso, exercer um saudável discernimento,  ater-se ao que for simples e essencial. Além disso, o auxílio de alguém mais experiente para nos orientar pode ser muito benéfico. Não precisamos cair nos mesmos buracos que outros já passaram.

Basta alguns minutos por dia para começar. Ninguém precisa se transformar em outra pessoa do dia para a noite. Aos poucos, vá consumindo os livros que te interessam e lhe agradam. Com o tempo, terá prazer em ler por horas seguidas. O resultado será seu desenvolvimento pessoal e, portanto, espiritual, tomando as devidas precauções contra a vaidade e arrogância.

O saber está aí, mais disponível do que jamais esteve, embora muitos ainda não tenham acesso a essa maravilhosa fonte de conhecimento e sabedoria. Mas se você possui condições de ler este pequeno artigo, acredito que possa também ler outros textos. Então, aproveitemos as ferramentas que estão ao nosso alcance e façamos bom uso do nosso saber.

A Espiritualidade Simples

A espiritualidade não exige muita coisa para ser exercida. Não é necessário saberes profundos, rituais complexos, compreensão de difíceis conceitos abstratos. A espiritualidade pode ser simples e há muita beleza nisto. A simplicidade não a torna inferior ou mais fraca; é nosso coração que dá força.

Às vezes basta uma palavra, uma oração, um pouquinho de fé. Cada ação espiritual, realizada com fundamento, dentro dos princípios do bem, tem o seu valor e merece todo o seu respeito. Isso não significa que é, entretanto, indispensável. Nem tudo necessariamente será fundamental no contato com a Espiritualidade. A vivência espiritual é, antes de tudo, uma jornada interna, pessoal, íntima, embora tenha um amplo  componente social. É uma vivência diária.

A simplicidade e naturalidade foi esquecida. O caminho é reapreendê-las. Permitir as coisas fluirem naturalmente, sem forçar. Deixar a voz da intuição nos ensinar. Sintonizar com as forças positivas sem intermediários, sem padronizações. Preocupar-se menos com procedimentos, rituais, cerimônias, e mais com o contato direto com a essência da espiritualidade. Não que estas atividades não tenham seu valor, mas o diálogo com Deus antecede tudo isso. A simples e natural comunhão com o Alto.

A espiritualidade se expressa no nosso dia-a-dia, manifesta-se nas pequenas situações de cada dia. É na relação com a família, amigos e parceiros, no cuidado com nossos pensamentos e sentimentos; na fé frente aos desafios da vida, na busca de ir além do que se vê. Aquela ofensa doída, o não recebido, os desejos não realizados, as perdas, entre tantas outras atribulações, todas nos convidam a reagir de acordo com uma postura espiritualizada. É claro, não somos perfeitos e erramos constantemente, mas a tentativa contínua de nos elevarmos nos define.

Há muitos saberes acessíveis atualmente a nós, todos com seu devido valor e respeito. A simplicidade, contudo, é importante seja qual for o caminho que você tomar para si. Ter o discernimento entre o que é fundamental e o que é apenas manifestação exterior, entre essência e aparência, o que está na sustentação daquela expressão espiritual. E se ater a isso. Não se deixar seduzir pelo o que é superficial, mas mergulhar naquilo que toca o nosso coração.

A simplicidade anda lado a lado com a humildade. Esta é uma das virtudes mais difíceis de alcançar. O que é complexo demais muitas vezes no distancia de Deus. Acontece que, não raro, concentramos apenas na forma, nos detalhes, no que é exterior. E esquecemos de trilhar o caminho do autoconhecimento. Mas isto é importante, porquanto a vida junto à espiritualidade nos conduz a viver de uma maneira diferente.

Desenvolver habilidades como projeção astral, clarividência, telepatia, abrir terceiro olho, entre outras, formam o objetivo principal na espiritualidade? Acredito que não. Minha visão é que o caminho seja outro, por meio de uma comunhão diária com o Criador. Práticas simples como a oração, a meditação, o autoconhecimento, a busca do crescimento moral, realizados regularmente, podem efetivamente nos aproximar da espiritualidade. A complexidade pode acabar nos afastando de Deus.

Simplicidade e humildade têm força, têm fundamento. Por meio desses valores, podemos desenvolver relações saudáveis em três níveis: eu e os outros, eu e Deus, e eu comigo mesmo. Permitir que a vida, nossa principal mestra, possa nos dar lições. Tornar-se um foco de luz de mundo. Não apenas abrindo-se para o novo, mas fechando-se para o que não é bom para nós. E assim, a cada dia, realizar nosso potencial interno.

Por que algumas orações parecem não ter respostas

Há uma série de fatores a serem considerados quando buscamos entender o porquê de não encontrarmos as respostas de nossos questionamentos.  Nossa vibração, merecimento, o tempo de Deus, nossas reais necessidades, programas de vida, entre outras coisas, tudo é necessário levar em conta para entender essa questão. No entanto, de antemão, é possível afirmar, com segurança, que não existe oração sem resposta. Vamos tentar entender.

 

Primeiramente, no momento em que a oração é feita, ela já surtiu efeito. Eleva nossa vibração, purifica nossa aura, produz ânimo e coragem. O ato de orar  transforma, continuamente, nossa vida. Nós mesmos já a respondemos, em um primeiro momento. Nenhuma prece se perde, todas possuem seu benefício. Entretanto, para usufruir plenamente os seus efeitos, é necessário estar receptivo às suas vibrações benéficas.

Algumas vezes, tudo que carecemos para obter o que almejamos é um pouco mais de ânimo, coragem, esperança. Ou algumas palavras sopradas no ouvido da mente. Uma direção, um caminho apontado. A resposta já está presente, no entanto, não da maneira como esperávamos. O objetivo da espiritualidade não é tornar a vida fácil, e sim, nós mais preparados para enfrentar as dificuldades de cada dia. É necessário nosso empenho e dedicação em relação ao que  buscamos.

Nem tudo que pedimos em nossas preces é bom para nós. Somente a espiritualidade possui o conhecimento pleno da nossa caminhada. As dificuldades e as dores vêm por determinadas razões e muitas vezes é necessário passar por elas para o nosso aprendizado. Portanto, confiemos em Deus porque ele sabe o que realmente precisamos. Disse nosso Mestre que o Pai, vendo o filho pedindo pão, não lhe dá pedra. Da mesma forma, se o filho clama por veneno, o Pai não lhe concederá veneno.

Nesse sentido, muitas vezes nossas vontades não serão satisfeitas. Estamos encarnados neste planeta por um bom motivo e as durezas da vida fazem parte dessa razão. Integram os remédios espirituais para nossas mazelas morais. E há, também, o nosso livre arbítrio, que é inviolável.  Do que adianta orarmos por saúde quando no cotidiano promovemos a doença em nosso corpo? A paz quando somos incapazes de perdoar as fraquezas alheias? A sabedoria quando não colocamos em prática aquilo que já aprendemos.

É necessário tempo para que as respostas do divino se manifestem. E algumas vezes ele é dada de forma muito sutil. Em outras ocasiões, precisamos passar por um longo processo de transformação interna antes que estejamos prontos para receber as bênçãos.  O merecimento é muito importante. As más ações acumulam uma série de lições a serem aprendidas por nós antes que possamos alcançar nossas graças.

A oração não deve ser realizada de forma automática, repetida, mecânica. E sim com sentimento, atenção, postura e fé. O pensamento deve estar sob controle, direcionado a Deus. Além disso,  deve-se assegurar um bom estado vibratório, uma vez que as vibrações negativas atrapalham a comunicação com a Alta Espiritualidade. Apesar de que, caso você se encontre nesta situação de desequilíbrio, a prece é uma excelente ferramenta para iniciar sua limpeza espiritual.

Oremos com alegria, com empolgação e sinceridade. Sem esperar resultado imediato. Orando e buscando, apesar das turbulências de cada dia.  Um dia de cada vez, vamos deixar a resposta se manifestar em sua naturalidade e seremos surpreendidos. O milagre é a nossa própria transformação.  E em meio a ferro e luz, nossa consciência, em um estágio mais elevado, será forjada.

Todo dia tem alguma coisa para agradecer

Entenda, tudo é aprendizado. Todas as coisas que nos acontecem nos ensinam alguma coisa, seja através da alegria, seja através da dor. Cada dia traz uma experiência nova e a experiência nos amadurece. Não há como regredir -desejando ou não, a evolução acontece. Você pode agir em sintonia com ela, ou ser arrastada por ela. E há uma razão para cada processo pela qual passamos. Agradecer é reconhecer isso.

Acontece que nossa memória falha muitas vezes e após um dia difícil tendemos a imaginar que somente problemas ocorreram conosco. Mas isso não é verdade. Quando emoções dolorosas estão presentes, nossa mente perde a visão do todo, como se existisse somente aquilo diante de nós. O agradecimento, neste caso, exercita nossa atenção para ver o lado bom de tudo.

Agradecer, no entanto, não é fingir que não existem problemas em nossa vida. O objetivo não é criar ilusões. Mas ter uma atitude otimista diante das dificuldades da vida. Reconhecer que há um porquê por trás do que está acontecendo e que aquilo que nos aflige também está nos fortalecendo. Na vida nenhuma experiência se perde. Tudo volta-se para nosso crescimento.

Por meio dessa atitude para com a vida, desenvolvemos uma alegria natural. Enfrentamos tudo com leveza. Agradecer, apesar de tudo, é aceitar que nada é por acaso. Há uma força maior conduzindo nossos passos e o destino final é bom. Os bons espíritos são felizes. Isso nos aguarda. Mas para se chegar a esse estado, há de se passar pelas mutações necessárias. E ninguém nos ensina melhor isso do que a própria vida, ela é nossa mestra principal, dura e rigorosa.

Estar encarnado é um motivo suficiente para ser grato. A encarnação é a expressão do perdão e amor de Deus. É a oportunidade que nos foi dada de compensarmos o mal que fizemos e o desenvolvermos o que há de melhor em nós. Somos espíritos imortais, habitantes das galáxias, com o potencial de tornarmos um com o Divino. Esta é a nossa verdadeira natureza e agradecer é lembrar disso.

As dificuldades não irão embora. Os problemas surgem e desaparecem em diferentes ciclos. Não está em nosso poder interromper este movimento. O que podemos fazer é desenvolver uma outra postura frente aos desafios de cada dia. Agradecendo, ir construindo as bases emocionais e espirituais para firmar-se na paz interna. Agradecendo, não se identificando com o exterior, mas na imensidão do que você é.

A gratidão é uma prática espiritual, um meio hábil de nos conectarmos com o divino e crescermos espiritualmente. Ela eleva nossa vibração. Planta pensamentos positivos. Um exercício simples: no fim do dia, agradeça a três coisas diferentes. Isto vai desenvolver uma boa memória para aquilo de positivo que você viveu a cada dia.

O agradecimento nos torna mais humildes. Permite-nos encontrar felicidade nas pequenas coisas. Reconhecer Deus em tudo. Aprender a trabalhar com o que já tem, e não se preocupando com aquilo que não tem. É o ato de fé que reconhece que a espiritualidade é sábia e sabe o que faz, portanto não reclama, não levanta lamúrias. É, por fim, aceitar o que a vida é e, portanto, ser grato a ela.

O corpo físico é importante para a nossa evolução espiritual?

Matéria e espírito não se opõem. O corpo físico e a espiritualidade não são contrários. Ele não é a origem de todos os pecados e não é nosso dever combatê-lo para que a alma possa evoluir. Antes de tudo, nossos corpos são um presente de Deus para nós. Nosso principal instrumento de evolução e manifestação no plano material. E tudo isso ocorre sob o desígnio do Criador. Vamos tentar entender um pouco mais.

A realidade é formada de diferentes aspectos que formam um todo, uma rede interligada. A matéria, a mente, os sentimentos, as emoções, as vibrações, o espírito, nada disso atua de forma isolada. Estão todos conectados. Quando uma dessas áreas é afetada, todas as outras sentem. E com o corpo não é diferente.

O descaso com ele leva à preguiça, ao desânimo, à morbidez, ao cansaço, à irritação, à desesperança. Por outro, um corpo bem cuidado oferece ânimo, boa vontade, disposição, alegria, esperança, coragem. Dessa forma, se você se pergunta por onde começar, muito se beneficiará se iniciar cultivando hábitos saudáveis para o corpo. Todos os outros aspectos da sua vida sentirão o impacto positivo.

O que não explica o extremo oposto, o culto ao corpo e a matéria. Se estamos encarnados, no plano terreno, é porque há tarefas aqui para serem feitas. A busca de melhores condições materiais de existência não vai contra o espiritual. Enfrentar o mercado de trabalho, formar família, conviver com os outros, lidar com as doenças, entre outras coisas, constituem importantes lições necessárias à nossa evolução espiritual. No entanto, não podemos esquecer, em momento algum, que somos espíritos imortais usando temporariamente um corpo físico e que colheremos aquilo que plantarmos. O corpo físico é um instrumento do espírito, não seu objetivo final.

Vamos romper com a dicotomia matéria e espírito. Tudo aquilo que é perceptível com os nossos sentidos é criação divina. E tudo o que o nosso corpo oferece está aí para a nossa evolução. Nós é que podemos fazer um bom ou mau uso dessas ferramentas. E disso seremos cobrados, porque temos responsabilidade sobre o nosso corpo. Um bom exemplo, para quem ainda não conhece, é o de André Luís, na obra Nosso Lar, que foi considerado suicida pelo mau uso de sua matéria.

O estilo de vida que adotamos é capaz de gerar tanto saúde quanto enfermidade para nós, em todos os níveis, seja físico, mental, emocional ou espiritual. Assim, qual é o sentido de pedirmos à espiritualidade a cura de alguma doença quando diariamente cultivamos hábitos nocivos que fortalecem esta mesma doença? Algumas vezes, o “espiritual” não basta, porque há coisas que nós mesmos precisamos fazer. Uma boa alimentação e um pouco de exercício físico é suficiente para evitar, e até mesmo curar, boa parte das enfermidades.

E há o outro lado da moeda. Da mesma forma, uma mente negativa pode prejudicar seriamente a matéria. No corpo físico ganham forma as vibrações oriundas do pensamento, das emoções, dos sentimentos, das diferentes energias que emanamos e absorvemos. A doença é o expurgo dos distúrbios da alma. Mente saudável, corpo saudável. E também, corpo saudável, mente saudável. Há uma reciprocidade entre os dois.

O corpo fala, manifesta aquilo que está desequilibrado. Ele pede atenção para alguma área sensível da nossa vida. Por este motivo, é muito importante estarmos atentos aos seus sinais. Olhar para dentro de você. Diversos problemas podem ser anulados com uma mente vigilante, combatendo-os antes que ganhem força.

O corpo integra a espiritualidade. O material faz parte do espiritual. E ele é incrível. Vamos aproveitar esta oportunidade que Deus nos deu de encarnar e evoluir. Vamos ser sensatos com nosso corpo, cuidar dele, fazer dele um instrumento para espiritualizar-se. Um pequena caminhada que a gente faz três vezes por semana pode melhorar muita coisa. Uma boa noite sono muda completamente um dia. Dê ao seu corpo o cuidado que ele precisa e bons frutos serão colhidos. Façamos dele um canal de expressão da luz, da saúde e da alegria.

O desânimo, a firmeza e o tempo da espiritualidade

Um dos principais inimigos do nosso crescimento: o desânimo. Todo mundo o conhece, porque recebe sua visita ao menos uma vez por mês. Porém, é normal sentir-se desanimado. Faz parte do movimento das coisas. O verdadeiro desafio, no entanto, é resistir a ele, estar preparado e não deixá-lo abalar nossos projetos. É um pouco sobre isso que vamos conversar hoje.

Primeiramente, vamos entender que há um ciclo em nossas emoções. Toda vez que começamos a fazer alguma coisa nova, sentimo-nos entusiasmados, empolgados e até ansiosos. Queremos que nossas aspirações se realizem de imediato, e aceleramos nossos passos. Há esperança, segurança, fé. Mas, ao passar de alguns dias, vêm as dúvidas. Ficamos inseguros, temerosos, questionando-nos se estamos no caminho correto. O desânimo se instala e o nosso julgamento da realidade fica prejudicado. Duas opções se apresentam: desistir ou continuar.

O que podemos fazer é estar preparado para o desânimo. Compreender este ciclo. Ter a consciência de que esses estados emocionais não são permanentes. Se hoje estamos nos sentindo inseguros, amanhã o ânimo retornará, mas para isso, precisamos nos manter firmes em nossos propósitos, apesar dos sentimentos. É preciso ter inteligência emocional para aceitar essa inconstância emocional, do contrário, dificilmente conseguiremos concluir alguma coisa.

O mesmo acontece quando há cansaço, físico ou mental, mau humor, jornadas de trabalho pesadas, entre outras situações desgastantes. São ocasiões em que se exige mais de nós para mantermos nossas práticas e valores espirituais em atividade. É muito mais fácil estar firme quando tudo vai bem. Contudo, a força está em manter a chama da espiritualidade acesa em meio às adversidades da vida. Quando podemos, de fato, colocar nossos saberes em prática. Apesar dessas considerações, vamos ser gentis com nós mesmos: não cobremos perfeição de nós. Apenas vamos cultivando a luz ao longo do caminho.

Precisamos entender, não somente com a mente, mas com o coração, que o tempo da espiritualidade é diferente do nosso. É lento, as coisas demoram a acontecer. Os problemas vão se ajeitando pouco a pouco, criando uma base firme e sólida. Mas para isso é necessário a firmeza de continuar, dar o passo seguinte, porque há muita insegurança, medo, dúvidas no caminho. Lembrem-se: esses sentimentos não são permanentes, em breve o ânimo retorna.

É um passo de cada vez. Cada manhã traz uma batalha, mas também traz oportunidades de nos aprimorarmos. Todo dia podemos pôr em prática aquilo que vai nos fazer crescer, desenvolver nosssos projetos e alcançar nossos objetivos. No entanto, paciência. O tempo é soberano, não pode ser burlado, porquanto é manifestação da lei de Deus. E isso, a longo prazo, acarreta grandes resultados. Acumulamos maravilhosos tesouros espirituais. O caminho da evolução é uma jornada muito muito muito extensa. Não há atalhos, não há outra opção a não ser percorrê-lo.

E nessa luta diária, o nosso maior inimigo somos nós mesmos. Exige-se um autoenfrentamento. Enfrentar a ignorância, a ilusão, aquilo que nos atrasa. Enfrentar as emoções, quando elas não estiverem do nosso lado. Estar vigilante quanto ao desânimo. Muitas vezes, ele não se instala de uma vez, mas pouco a pouco. Por este motivo, precisamos combatê-lo ao seu primeiro sinal. Não esperar ele ganhar força. Porque uma vez estabelecido, o desânimo nos paralisa.

Outra coisa, a nossa força de vontade também não é constante. Ela não dura para sempre. Tal como um combustível, ela se gasta e é preciso recarregá-la. Por isso, não podemos depender inteiramente dela. Mas agir com estratégia. Usar nossa força para criar condições materiais e emocionais, para que se torne cada vez mais fácil continuar com nossas práticas e valores espirituais.

A fé é essencial. O nosso primeiro e último recurso. Entregar-se a Deus, deixar nas mãos Dele o dia de amanhã. Por esta razão, nada de soluções imediatas. Deixar para resolver o futuro quando ele chegar. Mas, a cada dia, trazer a alegria para a vida. Ter firme qual o seu propósito nessa vida. E confiar em você mesmo. Enfrente-se. Enfrente suas emoções, sua mente, seus medos, toda vez que eles não estiverem do seu lado. Não fique aí se lamentando, fazendo-se de vítima. Há muito trabalho a ser realizado. Tenha firmeza, isto é, continuar o seu caminho, em direção ao seu propósito maior, aquilo que vai fazer você evoluir, onde quer que esteja, com quem você estiver. Mas não confunda isso com resistência à mudança, pois é necessário muita flexibilidade e criatividade em nossa jornada!

Por fim, deixo um pequeno exercício, para ser praticado sempre que se desejar. Apenas repita:

“Sou mais forte que o desânimo. Estou preparado a ele. Tenho fé em Deus e confiança em mim mesmo. Com firmeza, continuo meu caminho. De passo em passo, aproximo-me do Pai Maior. Meus projetos rendem bons frutos e sou vitorioso”.

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Quando a nossa memória falha

A nossa memória é seletiva. Todo dia, muita coisa é armazenada em nossa mente, no entanto, nos momentos difíceis da vida, poucas coisas são trazidas à tona. Geralmente somente os problemas.  Na hora da provação, esquecemos de todas as bênçãos que a espiritualidade nos concedeu. E agimos como se nossa vida fosse apenas sofrimento. Mas isso não é verdade.

De fato, você tem passado por sérias dificuldades. A vida não está lhe parecendo fácil. E cada um está carregando a sua cruz. Os nossos problemas, contudo, alteram nossa percepção da realidade. É como se eles se posicionassem bem na frente dos nossos olhos e impedissem de ver a situação como um todo. Como se, no universo inteiro, existisse somente este problema e nós fôssemos os únicos que conhecessem o que realmente significa sofrer. Mas não é bem assim.

Isso acontece porque deixamos nossas emoções nublar nossa visão da realidade. E nossa memória é afetada nesse processo. Esquecemos, por exemplo, que, no passado, passamos por diversas situações que pareciam gigantes, extremamente dolorosas, sem nenhuma saída. Mas que, de alguma forma, sobrevivemos, e hoje elas parecem tão menores. Há certas situações do passado que nos faz rir de nós mesmos por termos nos preocupado tanto na época. De uma forma ou de outra, o tempo se encarregou de resolver a situação.

Desse modo, nos momentos de provação, é importante nos atentarmos à nossa memória. Observar como ela reage às dificuldades da vida, o que está sendo trazido à tona. Buscar, contudo, lembrar das coisas boas, dos ensinamentos, das pequenas provas da espiritualidade, nos momentos de dúvida, desânimo e insegurança não é realmente fácil. Por este motivo, é necessário exercitarmos a memória positiva. E temos sim memórias positivas para lembrar, porque todo dia há alguma coisa para agradecer.

E como fazemos isso? Sendo menos automáticos e mais conscientes. Lembrar de forma ativa, e não deixar nossas emoções escolher livremente o que trazer e o que não trazer à nossa mente. E para fazer isso, é preciso fazer uma espécie de “reprogramação” de nosso cérebro. O que é, a princípio, mais fácil falar do que realmente fazer, porque, de imediato, nosso controle sobre a mente é muito limitada. Para se obter isso, precisamos prática, muita prática. Vamos falar de algumas simples que podem ajudar muito.

1) Contrapeso: toda vez que lhe vier uma memória ruim, evoque uma memória boa. Seja específico. Se for uma lembrança negativa sobre uma pessoa, encontre uma lembrança positiva sobre ela. O mesmo para as diferentes situações, projetos, trabalhos, sentimentos. Trabalhe com os opostos, e vá plantando bons pensamentos.
2) Reforço: se está passando por um momento difícil, sente que está sem saída, busque, nas memórias, outros momentos de dificuldade e como você foi capaz de sobreviver e superar. Lembre-se, também, dos ensinamentos da espiritualidade. Para tudo há uma razão, cada dor traz uma lição, e que as forças divinas te acompanham e te amparam todo dia.
3) Evocação: se a está lhe faltando e o desânimo te abalando, lembre-se das pequenas bênçãos de cada dia. Traga isso à memória sempre que a dúvida lhe assaltar.
4) Conhecer: não esqueça sua verdadeira natureza. Você não veio a essa vida à passeio. Você é um espírito temporariamente preso a um corpo vivenciando diversas experiências para a sua evolução. A vida é eterna, a morte física é certa e a lei de causa e efeito vigora. Então, quando algo pesar seu coração, pergunte-se se você não está gastando energia demais em algo que, no fim, não fará diferença.
5) Oração: a prática constante da oração mantém presente a espiritualidade em nossa consciência. Mais informações aqui e aqui.
6) Meditação: a meditação é uma das mais simples e eficazes práticas para exercitarmos a consciência sobre nossos pensamentos, ações e palavras. Ela, por si própria, é capaz de nos levar à iluminação. Tem a força e o poder de alterar os padrões de nossa memória. Se tudo mais você esquecer, apenas medite. Basta. As portas do universo lhe estarão abertas.
7) Agradecer: com algumas exceções, provavelmente você tem alimento, água, abrigo. Tem um céu para olhar, ar para respirar, o Sol para sentir. Oportunidade para aprender, estudar, desenvolver-se na espiritualidade. Pessoas para conviver. Há muitos motivos para agradecer, lembre-se deles ao fim de cada dia.

São pequenas práticas que aos pouquinhos vão ajudando você. Há muitas outras. Elas vão te auxiliar a escolher o que lembrar. Evocar o que for positivo, perdoar o negativo. Não esqueça, entretanto, que tudo tem o seu tempo. Enfim, o sofrimento vem para nossa própria evolução, pois ele é uma ferramenta excelente para marcar nossa memória: isso é errado, isso é correto. É possível, porém, evoluir com alegria, ou pelo menos sem sofrer tanto. Para isso, é preciso deixar a teimosia de lado e pôr em prática o que aprendeu.

“Leve na sua memória, para o resto de vida, as coisas boas que surgiram no meio das dificuldades. Elas serão uma prova da sua capacidade de vencer as provas e lhe darão confiança na presença divina, que nos auxilia em qualquer situação, em qualquer tempo, diante de qualquer obstáculo”. CHICO XAVIER