Os relacionamentos pessoais e a espiritualidade #2

Caso ainda não tenha feito, você poder ler a primeira parte do texto aqui.

Há muitas lições para serem aprendidas nos nossos relacionamentos com os outros. Muita coisa para ser trabalhada, não somente dentro de nós e dentro do parceiro, mas nas próprias relações sociais. E, da perspectiva da espiritualidade, não podemos diminuir a importância de buscarmos relações mais saudáveis e harmônicas com nossos parceiros, família e pessoas do nosso dia-a-dia. Crescer espiritualmente é permitir que o amor cresça dentro de você, e é no contato um com o outro que o amor pode se expressar.

No entanto, na prática, tudo é mais complicado. Brigas, discussões, ressentimentos, mágoas fazem parte do cotidiano de um relacionamento. E muitas vezes ficamos sem esperança, querendo que o outro mude, mas duvidando que isto seja possível. Porém, é por aí que reside o problema. Vamos tentar entender.

Idealizamos muito. Imaginamos uma relação perfeita, com príncipes e princesas encantadas, onde os detalhes são exatamente como queremos. Mas não é assim que a realidade funciona. Em vez de aceitarmos ela, trabalharmos a partir dela, tentamos encaixar os outros nos nossos padrões.

Primeira coisa: ninguém muda ninguém. Você consegue até influencar alguém de alguma forma, seja positiva ou negativamente, mas não pode forçá-la a ser o que ela não é e não quer ser. Você precisa primeiramente transformar a si mesmo. Ser o exemplo. Nada inspira melhor a outra pessoa a melhorar do que um exemplo vivo ao seu lado.

Temos que parar de idealizar. Aceitar que ninguém é perfeito. Não querer encaixar nossos relacionamentos nos modelos que vemos nos filmes, novelas, livros, etc. Cada de um de nós traz muitas bagagens para o relacionamento, e não é fácil simplesmente jogar tudo fora. Antes, vamos aprender a deixar se desenrolar em sua naturalidade.

Mas vamos repetir aqui a ressalva do texto anterior: tudo isso dentro do que é saudável e razoável. Se alguém nos agride constantemente, seja fisicamente, seja emocionalmente, o caminho correto é nos afastarmos dessa pessoa, por amor a nós mesmos. Porque Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos.

Não podemos esquecer de nós próprios. Perder-se no meio de uma relação. Tentar tanto agradar a pessoa que deixamos de lado nossas necessidades. É necessário o meio termo. Saber equilibrar, de um lado, o quanto você cede, aquilo que você abandona para que o convívio possa fluir, e, de outro, o auto amor. Esqueça aquela história de duas metades que se completam. Somos inteiros que se somam.

É necessário amor próprio para um relacionamento saudável. Não devemos colocar todas as esperanças no outro, achar que ele é o salvador da pátria que vai, ou deve, resolver todos os nossos problemas. No entanto, não é necessário ser perfeito para ter um relacionamento com alguém e amá-lo. Nós devemos caminhar para frente apesar dos defeitos, melhorando o que tiver que melhorar no meio da jornada.

Nos relacionamentos, há também muitas pendências cármicas para se resolver. Muitas vezes, com aquela pessoa ali que quebramos a cabeça tentanto aprender a conviver, tivemos problemas nas vidas passadas. Principalmente nas relações entre pais, filhos, irmão. E nessa vida, viemos juntos para aprendermos a nos perdoar. Pode acontecer, por exemplo, que aquele irmão que temos tantas brigas e discussões, também tivemos problemas com ele no passado. Talvez tenhamos traído ele, ou feito coisa pior. E agora estamos juntos como irmão, pai e filhos, primos, etc., para nos aproximarmos e resolvermos nossa diferença. Não é a toa que esquecemos a vida passada, mas esse é assunto para outra postagem.

Aprendemos com as gerações passadas muitas formas de se conviver que não são muito saudáveis. E também, por outro lado, esquecemos-nos de muita coisa importante. Por isso é importante estudarmos, pesquisarmos, experimentarmos, buscarmos formas cada vez mais saudáveis e harmônicas. Temos que curar nossas relações.

Por fim, entender que faz parte do aprendizado também reconhecer o fim. Quando não há mais união. Não ficar preso a um relacionamento que só te machuca. Quando você já tentou de tudo e as coisas não vão para frente. As pessoas mudam. Vocês crescem um com o outro. Um ensina o outro. Temos que aprender a lidar com isso.

A vida vai continuando. E nós, a cada dia, vamos aprendendo a conviver um com o outro.

 

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A importância de orar ao acordar e antes de dormir

A oração é uma ferramenta poderosa à nossa disposição para entrarmos em contato com o Divino. Por meio de sua prática regular, há uma série de benefícios que são gerados para nós e por nós. Neste texto, contudo, quero falar especificamente do valor da prece realizada ao acordar e ao dormir. Primeiro, vamos relembrar um ponto muito importante.

Somos todos vibração. Energia em movimento, que molda e se molda a nossa volta. Quando o nossa padrão vibratório está elevado, temos um dia mais agradável. Sabemos lidar melhor com os pequenos problemas do dia-a-dia e dificilmente algo perturba nossa paz. No entanto, quando o padrão vibratório está menor, é discussão para todo lado, briga, irritação, desânimo, e tudo o que menos gostamos. Um dos aspectos de crescer na espiritualidade é justamente trabalhar nessa vibração interna que constitui todos nós. Tornar o bom pensamento o comum. Nesse caso, a oração se faz uma excelente ferramenta e estratégia para agir em nosso padrão energético.

A espiritualidade pode ser vivida de uma forma simples. Antes de pensarmos coisas avançadas, magias, simpatias, rituais, cerimônias, entre tantos outros elementos, com sua devida importância e respeito, não podemos ignorar que em muitas ocasiões, uma oração com fé já faz muita coisa por nós. Não podemos esquecer o básico. E não há nada mais básico na espiritualidade do que uma prece,

Quando acordamos e fazemos uma prece, primeiramente, elevamos nosso pensamento. Seja lá o que estávamos pensando ou sentindo, se despertamos com bom ou mau humor neste momento estabelecemos um canal com com as vibrações mais elevadas. Nosso pensamento, em alguma medida, purifica-se. Recebemos boas energias. E nos preparamos para o dia. O que quer que tivermos que enfrentar ao longo do dia, teremos mais forças para isso. Já mudamos o desenrolar dos acontecimentos com esta prece.

Além de que, com a oração, fortalecemos nossa sintonia com as forças divinas e enfraquecemos a ação das entidades que buscam nos perturbar. Isso é muito importante. Se você não vigiar o seu pensamento, passará o dia inteiro sentindo a influência dessas entidades tentando soprar maus pensamentos na sua cabeça e discórdia no seu coração. A oração cria um escudo protetor contra isso. E nos ajuda a ter mais calma e consciência nas situações desgastantes de cada dia.

A prece ao amanhecer te faz lembrar de Deus e daquilo que é importante para você. Portanto, você já não agirá automaticamente. Você não se comportará mais da mesma forma. Porque você está trabalhando nas camadas mais profundas da sua mente. O momento em que acordamos e quando vamos dormir são estratégicos para atuarmos em nosso padrão vibratório, porque o nosso inconsciente fica mais acessível, principalmente quando estamos com sono. Os princípios e valores morais têm mais força para penetrar nossa consciência. Dessa forma, plantamos bons pensamentos que se manifestarão mais rapidamente.

E muito acontece também na oração feita antes de dormir. Ao longo do dia nos envolvemos com inúmeras ocasiões conflituosas e acumulamos muito sujeira emocional. É importante nos desligarmos disso antes de dormir e a prece ajuda nisso. Nosso pensamento marca onde vamos parar durante nosso desdobramento, que dimensões e companhias nossa alma visitará durante o sono.

Isso se acumula para o dia seguinte. Quando dormimos com uma boa vibração, e durante o desdobramento, visitamos bons lugares, acordamos muito melhor e com um ótimo humor. O dia seguinte fica melhor em muitos aspectos.

Por fim, a oração antes de dormir e ao acordar marca regularidade com a espiritualidade. O processo de amadurecimento espiritual é lento e demorado. Um passo de cada vez. É como uma planta que precisamos cuidar e cada dia que fazemos nossa prece regamos e nutrimos essa planta. Até que ela se torne uma árvore formosa e possa nos abrigar e nos dar frutos.

A oração aproxima você da fonte da vida. A prece, feita com fervor, liga, você, à fonte da energia que criou e mantém a Vida. Supre você de forças novas. Defende o seu espírito. Isola-o das projeções de pensamentos negativos. Faz de você uma fortaleza. Tudo depende de seu impulso amoroso. Se for honesto e forte, Deus o suprirá de tudo o que necessitar. Ore com determinação. Confie na grande usina do amor. Ela lhe responderá na medida da intensidade de sua prece. Faça-a um hábito diário. Nela, agradeça sempre. Confiar na eficácia da prece é confiar em Deus”. Gotas de Esperança – Lorival Lopes

Os relacionamentos pessoais e a espiritualidade

Os relacionamentos pessoais são um campo doloroso de experiência e aprendizado. É um aspecto essencial da vida humana, e algumas vezes realmente não é fácil de se lidar. No entanto, não somente são necessários para nossa vida, como constituem uma oportunidade insubstituível para nosso crescimento moral e espiritual. Vamos tentar entender um pouco.

Como dito em outro texto, nós, seres humanos, somos criaturas que vivemos em sociedade, em diferentes agrupamentos sociais. De uma forma ou de outra, somos levados a nos relacionar uns com os outros, caso contrário, dificilmente sobreviveremos materialmente. A grande questão é, exatamente, como nos relacionarmos de forma saudável com o outro. Uma vez que, quando entramos em contato com o próximo, colocamos em contato também o nosso próprio ser com o personalidade do outro. Há choque de egos.

É quando estabelecemos esse relacionamento que o nosso próprio EU é questionado e nossos defeitos e qualidades se manifestam. Nosso lado negativo ganha destaque quando fazemos este contato. E, da mesma forma, o lado negativo das pessoas com que convivemos. Principalmente quando se trata de relacionamentos íntimos, com nossos parceiros, filhos, irmão ou pais. Nesse caso, tudo isso é intensificado e nosso lado negativo fica, muitas vezes, escancarado.

O outro muitas vezes é espelho. É muito mais fácil olhar o defeito do outro do que o nosso. No entanto, o que acontece, é que projetamos, inúmeras vezes, nossos próprios vícios no outro. E a nossa mente tende a ficar focando, enfatizando e reforçando esses defeitos. Por este motivo, é necessário a vigilância constante, porque é nesse momento que devemos exercitar a disciplina do pensamento.

Não somos perfeitos. Nenhum de nós, encarnados neste plano, é. Se estamos aqui na Terra, é porque há lições que devemos aprender. O que torna todos nós, em um sentido, iguais: ninguém é mais que ninguém, ninguém é menos do que ninguém. Devemos, por isso, aprender uma difícil lição: amar o outro apesar dos seus defeitos.

É claro que isso dentro do que é saudável e razoável. Se alguém nos agride constantemente, seja fisicamente, seja emocionalmente, o caminho correto é nos afastarmos dessa pessoa, por amor a nós mesmos. Porque Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos.

Feito essas considerações, vamos voltar ao assunto. Temos que aprender a lidar com os defeitos dos outros. Não é fácil. Mas é por aí que caminha a nossa evolução espiritual. No interior dos nossos relacionamentos. É muito mais fácil sermos tranquilos e pacientes sozinhos dentro do nosso quarto, mas a verdadeira paciência e tranquilidade está em não deixar aquela pessoa do seu trabalho ou da sua família abalar seu equilíbrio emocional e mental. Aprender a respirar naqueles momentos de grande nervosismo e não agir automaticamente, não sintonizar na mesma vibração daquela briga, não permitir que o estado emocional do outro determine o nosso estado emocional. É no meio de todo campo de experiências que os relacionamentos oferecem que podemos pôr em prática o amor, a paciência, a tolerância, o respeito às diferenças, a compaixão, entre muitos valores as quais buscamos.

Os relacionamentos pessoais apresentam-se para nós, portanto, como  uma oportunidade única de nos conhecermos. Descobrir o lado sombra que habita em nós que muitas vezes desconhecemos. Oportunidade de aprendermo a colocar mais consciência nos nossos pensamentos, palavras e ações. É um processo de autoconhecimento e autotransformação, cujo resultado é alcançarmos a versão mais evoluída de nós mesmos.

Que possamos todos nós harmonizar e curar nossos relações! Que possamos estabelecer relacionamentos cada vez mais saudáveis! E que possa o amor prevalecer.

As práticas espirituais e a transformação de nossa consciência

Vamos começar a entender. A nossa consciência, como um todo, é muito complexa. Há muitas camadas nela e temos pouco acesso a elas. A maior parte do que está guardado no interior da nossa mente não se apresenta a nós o tempo todo. Fica escondido dentro de nossa cabeça. E não temos muito controle sobre o que há ali, e muitas vezes nem conhecimento do que está armazenado em nosso inconsciente.

Há um padrão de comportamento, pensamento e sentimento mais ou menos cristalizado em nossa consciência. Tudo o que acumulamos ao longo de nossas encarnações formam este padrão e este padrão molda nossa relação com o mundo e com nós mesmos. É por isso que não é tão fácil sermos uma pessoa mais evoluída. Sabemos, por exemplo, que precisamos perdoar o próximo, mas aquela mágoa e as lembranças sempre voltam para pertubar a nossa paz. Queremos ser mais amorosos no nosso dia-a-dia, porém, quando nos damos conta, estamos discutindo com o parceiro. Desejamos ir atrás dos nossos sonhos, no entanto, muitas vezes o medo e a insegurança sabotam a nossa iniciativa. Isso porque há uma larga parte de nós mesmos que foge ao nosso controle em um primeiro momento. É este padrão que herdamos de nós mesmos, fruto de tudo o que fomos no passado.

Queremos ser boas pessoas, e tomar para si este primeiro objetivo é o primeiro passo, mas não basta apenas escolher. Não mudamos do dia para noite. Porque há muita coisa guardada dentro de nós que precisa ser limpada, e essas coisas guardadas influenciam diretamente nossa atitudes, sentimentos, pensamentos.

As práticas espirituais, nesse ponto, revelam-se como uma forma estratégica de acessar as camadas mais profundas de nossa consciência e de nela agir. O pensamento, a atenção, os sentidos, a emoção, entre outros elementos que constituem a multiplicidade de práticas espirituais que existem por aí, são chaves que abrem as portas de nossa mente. E elas são capazes de alterar, purificar e tornar flexível estes padrões. Como já falado anteriormente, tudo o que pensamos, alguma hora volta a nossa mente, e quando realizamos alguma prática espiritual, as boas vibrações penetram as camadas da consciência transformando o negativo em positivo por onde passa. Com as práticas, temos a nossa disposição uma ferramenta para internalizarmos os valores que nossos mestres espirituais nos ensinaram e elevarmos nossa vibração.

Mas há de se compreender que não ocorrem mudanças bruscas. É de pouquinho em pouquinho que a transformação da nossa consciência vai acontecendo. É muita coisa para se limpar e tudo está ali há muito tempo. É como se tívessemos que plantar uma árvore desde a semente e cuidar e rega-la até ela crescer em sua formosura. Leva tempo, leva anos. A repetição é a chave. É um passo de cada vez, e a cada dia não se pode dar muitos passos. O processo é lento.

E o que pode ser definido como prática espiritual? Ora, muita coisa. Uma oração, canto, meditação, agradecimento, passe, mantra, defumação, caridade, e por aí vai. A lista é grande, pois o Pai Maior nos abençoou com uma variedade de caminhos para alcançá-lo. Tudo o que eleva nossos pensamentos, que faz a sentir e receber a vibração positiva, que nos impulsiona a ser uma pessoa melhor realiza este trabalho de transformação e purificação da nossa consciência.

No entanto, é necessário muita firmeza e paciência, pois há muitas pedras que tentam nos tirar do caminho. Disciplina para irmos além das nossas emoções e desejos quando necessário. E a prática constante para mantermos conectado com o divino. Mas, na medida em que esta árvore vai crescendo, os nossos padrões de comportamento, pensamento e sentimento vão se transformando também. Vamos nos tornando outra pessoa, e trazendo paz, luz, harmonia à nossa vida. Nossa consciência se amplia a horizontes que nem imaginávamos existir. E vamos nos aproximando do Alto.

“Tudo o que somos é resultado do que temos pensado. A mente é tudo. Nós nos tornamos aquilo que pensamos”. Buda