A importância do apoio da comunidade espiritual

É possível vivenciar toda caminhada de desenvolvimento espiritual sozinho, de forma isolada e independente? É sim. E são muitos os que buscam isso. No entanto, há muitos benefícios em fazer parte de algum agrupamento espiritual, e dificilmente eles podem ser ignorados. E é um pouco sobre isso que escreverei hoje.

Por que tantos querem hoje praticar a espiritualidade de forma individualizada? Há um mito por aí que dissemina a ideia de que devemos ser absolutamente independentes do resto da nossa sociedade. Que devemos resolver todos os nossos problemas com as nossas próprias mão, que os outros nada podem fazer por nós. Que somos responsáveis por tudo que é negativo que acontece conosco e que, portanto, cabe a nós mesmos lidar com isso sozinhos.

Precisamos ser cuidadosos nesse ponto. De fato, no fim, nós é quem somos responsáveis por nós mesmos, e tudo o que sofremos é, em larga medida, resultado do que plantamos no passado. Contudo, é preciso entender um pouco a especificidade humana. Somos seres sociais, vivemos em grupos e ante toda ação nossa, há pessoas envolvidas, seja motivando, seja sentindo as consequência dessas ações.

Da hora que nascemos, até o dia de nossa morte, não há momento em algum que não estejamos dependendo de outras pessoas. A nossa comida foi produzida por outra pessoa, as nossas roupas foram confeccionadas por outras pessoas, o material da qual é feito nossas residências foram coletadas por outras pessoas, e a lista vai longe. Estamos conectados uns aos outros de tal forma que o que acontece do outro lado do planeta afeta a nós onde estivermos.

Não há, assim, pessoa realmente independente. Não existe, de fato, isolamento social. Até mesmo os eremitas nas montanhas tiveram que, alguma hora, aprenderem com outros antes de poderem se afastar da civilização. E o que tudo isso tem a ver com espiritualidade?

Veja bem, muito. Em primeiro lugar, os valores que a espiritualidade nos convida a cultivar, como a paciência, a generosidade, o amor, o perdão, entre outros, são valores que, em geral, envolve outras pessoas. É em contato com a sociedade, com as pessoas do dia-a-dia, com a família, que podemos colocar em prova esses valores. É quando alguém está gritando com a gente que encontramos a melhor oportunidade de desenvolvermos a tranquilidade e o perdão. E, principalmente, é em meio a outras pessoas que podemos praticar a caridade.

Em segundo lugar, está o apoio da comunidade espiritual, cuja relevância não é pequena. Aquele agrupamento espiritual já tem toda uma estrutura formada. Está funcionando. Auxiliando pessoas e mais pessoas regularmente. Você vai encontrar ali apoio, suporte, acolhimento. Proteção. Presenciará uma fórmula que há anos e anos tem melhorado a vida das pessoas.

É no agrupamento também que você encontrará pessoas mais experientes que poderão te auxiliar na sua caminhada. É necessário preparo para lidar com muitos assuntos do espiritual. Se você deseja, por exemplo, desenvolver sua mediunidade, é importantíssimo que você esteja junto a pessoas que já a desenvolveram e possam acompanhar o seu processo. Lembre, Jesus não se autobatizou. Antes, ele buscou João Batista para isso. E ele também não agiu sozinho. Chamou os 12 apóstolos para acompanhá-lo.

Por este motivo, é preciso ter humildade. E não ser arrogante e dizer que não precisa de ninguém. Romper com o individualismo. Entender que o que estamos lidando é sério demais, exige muita responsabilidade. E em grupo somos mais fortes para lidar com esta responsabilidade. Se um cai, o restante o coloca de pé.

Mas é claro, tomem muito cuidado. Há agrupamentos e agrupamentos por aí. Não acredite em tudo. Observe bastante antes de ingressar em um grupo. Procure um lugar onde você se sinta bem. E as coisas vão dar certo!

“Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali estou no meio deles”.

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Como lidar com o próprio ceticismo

Vamos ser sinceros, todos nós encaramos, um hora ou outra, nossas próprias dúvidas. Insegurança. Incerteza. E isto é natural. Acreditar verdadeiramente não é uma simples questão de escolhas. E por causa disso, é comum sofrermos alguns conflitos internos, principalmente no começo de nossa jornada na espiritualidade. Conflitos que podem paralisar-nos. Mas não é preciso desistirmos por causa disso, nem nos sentirmos a pior pessoa do mundo. Apenar aceitarmos o que somos e deixarmos as coisas acontecerem no seu tempo. Vamos tentar entender um pouco melhor a questão.

O primeiro ponto é que a fé não é algo que pode ser forçado dentro de nós. Não tem como violentarmos nossa alma e colocarmos a crença lá dentro. Muito menos em outra pessoa. Mas podemos plantá-la. A fé precisa ser cultivada, como uma sementinha. Ele deve crescer naturalmente e, para isso, basta alimentá-la e deixar o tempo fazer o seu papel.

Todos nós temos alguma fé dentro de nós, por menor seja. Se você está lendo este texto é porque, de alguma forma, está buscando explorar o mundo além. E este pouquinho, para começar, é suficiente. Jesus disse que com uma fé do tamanho de um grão de mostarda podemos fazer montanhas se atirarem no mar. A questão é, quando colocamos a fé em movimento, ela se multiplica. Este pouquinho tem poder e pode transformar as coisas. Fazer nos sentirmos mais em paz como nós mesmos.

E a vida nos dá pequenas provas o tempo todo. Quem percorre a senda da espiritualidade sabe disso. A ação do muito invisível é, em geral, sutil, mas para quem está atento, pode percebê-lo. No entanto, costumamos esquecer de tudo que vamos presenciando ao longo da vida. Na hora que as incertezas se aproximam, temos que trazer estes pequenos momentos a consciência. E nos agarrar a eles.

Porque as emoções não é algo que podemos confiar plenamente. Elas são volúveis. Em um momento, tudo está certo. Em outro, nem tanto. Portanto, o parâmetro para a realidade tem que ser outro. E, seguindo esse caminho, continue. Prossiga, apesar das dúvidas. Convoque a firmeza para dentro de você. E a fé irá apenas crescer.

É precisar aliar a razão com a fé. Por meio do estudo, as coisas fazem sentido. A espiritualidade deixa de ser algo que nos entregamos cegamente. Ela pode ser compreendida, e quando entendemos algumas coisa, podemos confiar nela melhor. Estude, bastante. O saber vai te transformar e vai colocar muitas ferramentas na sua mão. Com essas ferramentas, você vai ajudar a si mesmo e as pessoas próximas. E não vai mais ser uma questão de acreditar ou não, você verá os resultados acontecendo.

Mantenha-se conectado a Deus e a espiritualidade. Há várias formas disso, e formas bem simples disponíveis a qualquer um, como uma oração. O importante é sentir a presença das forças mais sutis positivas. É comum, no nosso dia-a-dia, nos desconectarmos, pois a agitação do cotidiano nos chama para matéria. Mas é importante, nesse caso, fazermos o esforço de nos sintonizarmos novamente, até mesmo para nossa proteção espiritual. E a oração faz isso. Ela nos coloca em contato com Deus.

Não se apegue a milagres. Não é este o objetivo de seguirmos esse caminho. Há uma razão para as coisas que acontecem conosco, temos que aprender com elas. Ser concedida a nós uma prova inegável que o mundo espiritual é real não iria nos trazer bem. Pois quanto mais nos é dado, mais nos é cobrado. E com uma prova dessas, imagina quanto karma acumularíamos com nossos erros?

É necessário também um pouco de coragem para cultivar a fé. Ir na direção contrária do que é comum em nossa sociedade pode ser realmente duro algumas vezes. É fácil brigar com alguém quando se está com raiva, ou querer vingança quando alguém nos fere. Mas exige nossa força e coragem silenciarmos diante das ofensas e perdoarmos quando feridos.

Enfim, para lidar com o ceticismo, basta nutrir a fé. Agir apesar do ceticismo. E naturalmente a confiança vai crescer. Não precisamos nos preocupar muito com isso. Apenas continuar caminhando em direção a Deus e a nós mesmos.

Por onde onde começar na Espiritualidade?

O mundo da espiritualidade, dos diversos caminhos/filosofias/religiões, é imenso. E, na atualidade, somos bombardeados pelas mais diferentes informações. É normal se, no meio de tudo isso, nos sentirmos confusos sobre por onde começar. Neste pequeno texto, vou falar sobre algumas atitudes que são válidas para praticamente qualquer rumo que você decide tomar.

De uma forma ou de outra, é importante entender que existem muitos pontos de partidas. Cada um com sua particularidade, cada um adequado a particularidade de cada pessoa e de cada povo, cada um buscando aquilo que toca o seu coração. O ponto de partida não é o mais importante; no final, chegamos todos no mesmo lugar. Ainda assim, há alguns empreendimentos que você pode realizar, independente de que caminho siga, que permitirão você avançar na senda da espiritualidade.

Mas não tenha pressa. É uma coisa de cada vez. Não se sobrecarregue de práticas; mais vale você fazer um pouco por dia e persistir nisso. Somos o que somos e não é de um dia para outro que isso vai mudar. Os frutos serão colhidos, porém é necessária que a planta seja semeada primeiro, firme suas raízes e cresça. E um pouco de como podemos nutrir essa planta é o que tentarei falar.

1) Estudo. O conhecimento abre os portais da mente. Ele expande sua consciência em níveis que você nem imaginava que era possível. Coloca em questionamento tudo o que achava que era certo e definitivo e faz você ter que aprender novamente o que é a vida. E não há caminho de volta; uma vez que se permite ver o mundo de posição inteiramente nova, você se transforma. Você já não consegue ser o mesmo, agir da mesma forma como sempre agiu. E nasce em seu interior um desejo, um impulso, um sentimento, para buscar mais. Pois o Universo é imenso e ele nos chama para conhecê-lo.

Mas para isso, é preciso deixar que o conhecimento nos transforme. Que ele se internalize em nosso ser e nos molde. Passarmos, assim, a ser guiados pelo nosso saber e não pelos nossos hábitos herdados.

Existe muita coisa para aprender aí, sobre muitos e muitos temas. Comece pelo básico e vai se aprofundando, usando com muita generosidade o seu discernimento e a sua razão. Não tenha receio de perguntar, de pesquisar, de ouvir. Há livros em abundância disponíveis na internet, grupos de estudo, cursos, canais do youtube, grupos do facebook, do whatsapp, etc.

E coloque em prática o que aprender, aquilo que seu raciocínio lógico concluir que é bom, seguro e saudável. E você crescerá.

2) Autoexame. Você está sendo uma boa pessoa? É feliz? Guarda muito rancor em seu coração? Auxilia as outras pessoas? Ou apenas se importa com você mesmo?

O caminho para o Reino dos Céus está dentro de você. Evoluir espiritualmente acontece na mesma proporção que você conhece a si mesmo. Você se beneficiará largamente à medida que tomar conhecimento de suas qualidades e seus defeitos, dos seus limites e de suas capacidades, do que está indo bem na sua vida e do que precisa ser feito.

Busque mergulhar em si. Mas seja generoso ao fazer esta autoanálise. Por mais que venhamos descobrir aspectos de nós que nos constrange, temos que lembrar que há coisas boas também. O objetivo do autoconhecimento não é destruir o seu autoamor, mas tomar consciência do que é você.

Há muitos processos inconscientes que modelam o seu comportamento, os seus pensamentos e os seus sentimentos. Fazem você tomar determinadas atitudes das quais você se arrepende depois. E quando voltamos a nossa mente para dentro, tudo isso começa a vir à luz. E surge a oportunidade de transformar o que está ali.

3) Autoreforma. Não faça ao próximo o que você não gostaria que fizesse contigo. Você sabe do que estou falando. Busque a cada dia ser uma pessoa melhor. Simples, humilde, amorosa, generosa, paciente, entre outros adejtivos que você já conhece. Tome cuidado principalmente com a vaidade e o orgulho. Force-se a cada dia a fazer um pouco mais de bem e um pouco menos de mal. Começar a mudar as características que seu autoconhecimento mostra que precisam ser mudadas. Agir com ética.

No entanto, saiba também perdoar-se quando errar. Não vamos nos tornar santos de um dia para outro. Não se pode pular etapas na espiritualidade. Entenda que há ciclos: uma hora sentimos mais empolgados com a nossa vida espiritual, outra hora nem tanto. E quando nos sentimos desconectados com a espiritualidade, devemos fazer alguma coisa para nos conectar novamente, como uma simples oração.

4) Elevar o pensamento. Os pensamentos têm muito poder na nossa vida, e muitas vezes não acreditamos nisso. Isso porque o jargão do “pensamento positivo” é tão repetido que se banalizou. E muitos fazem propaganda dessa palavra de ordem com fins comerciais. Apesar disso, os pensamentos realmente possuem uma capacidade transformadora em nossa vida.

Como eu já falei em outro texto, tudo o que a gente pensa penetra em nosso inconsciente e retorna no futuro. Ao interiorizar, o pensamento pode tanto purificar o que está dentro de nós, quanto acumular mais sujeira emocional. Por isso é de extrema importância vigiar o que ocupa nossa mente, e controlá-la ao passo que nos tornamos capazes disso. É uma tarefa de fato difícil, mas com o tempo e exercício ganhamos força para intervir em nossa mente.

5) Plantar coisas positivas. Todas as nossas ações têm consequência. Esta é a lei e dela não podemos escapar. Muito do que vivemos hoje, tanto o que nos agrada quanto o que nos causa dor, é resultado das nossas atividades no passado. Então, seja estratégico. Plante hoje o que amanhã trará o seubem. Não seja imprudente. Não faça o que você, em plena consciência, sabe que trará mal a você no futuro. Como diz o ditado: “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. E estamos sempre semeando. Com nossas ações, palavras, pensamentos, estamos criando coisas que vão se manifestar no futuro. E isto é poder. Poder real de transformar nossa realidade.

6) Rever a relaçao com as pessoas. É relacionando com os próximos que podemos colocar em prática aquilo que os mestres espirituais nos ensinam. É convivendo com as pessoas que podemos testar nossa paciência, nossa humildade, nosso perdão. Por isso, é fundamental examinarmos como estamos nos comportando perante as pessoas próximas, dentro da nossa família, no trabalho, etc. Algumas vezes é realmente duro lidar com isso. E muito foge ao nosso controle, pois cada um tem seu livre arbítrio. Mas podemos assumir determinados padrões de comportamento que facilitam ou dificultam essas relações. Ter consciência do que estamos falando, fazendo, sentindo ao conviver com os outros.

7) Silenciar. Você está passando por uma transformação. Aprendendo coisas novas. O que você considerava certo está em questionamento. Este é um momento para falar menos e ouvir mais. Observar bastante. Não expressar o que mais tarde pode se revelar falso. Voltar-se para si mesmo. É que nem a larva que vira casulo para mais tarde se tornar borboleta.

Pode acontecer de você não se sentir mais a vontade nos grupos e lugares que começava frequentar. Ou que as pessoas comecem a achar que você está agindo estranho. Ou, ainda, você ter a sensação de estar deslocado. É o chamado para ir além do habitual, do mundo concreto ao qual você está acostumado a lidar.

8) Cultivar o hábito da oração. A prece diária pode transformar nossa vida. Por trás desse simples ato, há uma série de benefícios que vão sendo gerados a nossa volta. Para crescer na espiritualidade, o simples é bastante. Não é necessário nada exuberante para se conectar ao alto. Basta escolher um rumo e persistir nele, independente de nossas variações emocionais. E persistindo na oração, você vai estar avançando em direção ao criador.

9) Por fim, saiba que seu caminho é particular. Cada um é cada um, e ninguém é melhor que ninguém. Aqui na Terra, todos nós possuímos nossa dose de defeitos e qualidades. Portanto, não há razão nem para julgar nem se comparar aos outros. É importante que você aceite quem você é. Porém, que você busque ser a versão mais madura de você mesmo.

Saiba que seu caminho é particular, mas saiba também que é muito benéfico você se associar a algum agrupamento, principalmente se você lida com a mediunidade ou outro dom extrafísico. Juntos, somos mais fortes. E sendo novo na espiritualidade, é importante a orientação e o acompanhamento dos mais experientes. É importante ter uma base, pois, embora todos os caminhos que levam a Deus são bons, algum caminho temos que prosseguir.

Caminhe para frente apesar de seus defeitos

Você não precisa ser perfeito agora. Não é este o objetivo desta encarnação. Não é necessário ter encontrado todas as respostas e resolvido todos os seus problemas para fazer alguma coisa. A vida não funciona desse jeito. O importante é ir para frente, dar um passo, caminhar, ir a luta. Não importa o jeito que você faça isso.

Há muitas formas de ir a luta. Estudar, trabalhar, dialogar, chorar, meditar, discutir. Você está, de um jeito ou de outro, tentando lidar com todas as dores que a realidade traz a você. No meio do caminho, você vai aprendendo coisas sobre você, e você trabalha nelas à medida que você puder.

A busca pela autorreforma interna é uma das bases da espiritualidade. Mas ela não pode nos paralisar. Não vamos ser santos de um dia para o outro. E é a própria ação, o trabalho, a tentativa e erro que nos transforma.

Da mesma forma, no esforço contínuo para nos tornar-mos pessoas humildes, não podemos nos autodepreciar, nos rebaixarmos a tal ponto que nos deixe doente do coração. É necessário o difícil caminho do meio: nem autovalor excessivo que nos deixa arrogante, nem diminuir-nos a ponto de perder o amor por nós mesmos. É como disse nosso mestre, “amar o próximo como a si mesmo”.

No plano físico em que vivenciamos o nosso atual momento de nossa existência, não há perfeição. Aqui, estamos todos submetidos as leis da matéria. Não podemos cobrar perfeição dos outros, nem de nós mesmos. Por isso, é mais uma vez necessário repetir: não julgue.

Diante de Deus, somos todos criaturas em evolução. Cada um trabalhando aspectos diferentes de sua vida. Nós temos nossas qualidades, mas também nossos defeitos. Os outros têm seus defeitos, mas também suas qualidades. E muitas vezes, o que é qualidade nossa, é justamente o defeito do outro. E julgamos os outros, muitas até vezes até nos sentindo superior, mas esquecemos que o outro possui qualidades que nós ainda não adquirimos. É simples assim mesmo.

O que acontece é que na maioria das vezes nossas emoções não correspondem aos nossos pensamentos. Nossa razão aponta o correto como determinada atitude. Mas nosso coração quer justamente o contrário. E não é fácil lidar com ele. Porque as emoções, em um certo nível, escapam ao nosso controle.

É necessário que a experiência nos transforme. Deixar que a experiência nos transforme. E ouvir o que as emoções estão querendo nos dizer. Pois no momento em que os sentimentos e os pensamentos apontarem para a mesma direção, encontraremos uma força gigantesca.

Enquanto isso não acontece, vamos continuar caminhando. Aceitar que não somos perfeitos e que só podemos dar um passo de cada vez. Trabalhar aquilo que está a nossa disposição de trabalhar, e confiar que Deus nos trará as ferramentas para lidar com todo o resto.

Não acredite em tudo que você ler

Para tudo o que você imaginar, você vai encontrar um texto de um autor, mais ou menos conhecido, defendendo o ponto de vista. E vai encontrar alguém também se posicionando contra. E os dois afirmando que canalizaram suas produções de guias espirituais das mais elevadas esferas sutis.

Há muita coisa diferente por aí. A multiplicidade de saberes e pontos de vistas é muito benéfica, mas no meio de toda essa diversidade há muita coisa absurda, absurda mesmo, mascarada como a verdade absoluta. E o mais incrível é ver o quão rápido as pessoas acreditam no que leem e compartilham nas redes sociais.

É necessário termos responsabilidade com as informações que repassamos. Principalmente nas redes sociais. Porque ali estão presentes pessoas desesperadas, que estão ávidas por alguma luz, porque não sabem mais o que fazer para os problemas da vida se resolverem. Então, elas se apegam a primeira promessa de vida melhor. E nisso, muitos acabam se submetendo a ritos, magias, trabalhos sem fundamentos, que no final, acaba prejudicando mais ainda a vida deles.

Para lidar com o espiritual, temos que usar o nosso cérebro. A razão e a lógica não se opõem a fé, um complementa o outro. As coisas têm que fazer sentido. Antes de iniciar alguma prática espiritual nova, devemos nos perguntar “se isto não for verdadeiro, pode me fazer mal?”. E quando compartilharmos alguma informação, também devemos nos perguntar “se isto se revelar falso, pode fazer algum mal aos outros?”.

O que acontece também é que muitos têm um certo fetiche pelo o que é novo, pelo o que é diferente no campo da espiritualidade, e muitas vezes usam a novidade para se autoafirmarem diante dos outros. Mas se por um lado, é realmente importante avançarmos nos conhecimentos sobre o mundo espiritual, e que ninguém é portador da verdade absoluta, apresentando-se cada religião/filosofia como um caminho único e diferente para se chegar ao criador; por outro lado, não podemos esquecer que o básico já faz muito por nós: oração, fé, pensamento positivo, reforma íntima, meditação, entre outros.

É claro que o espiritual têm os seus mistérios. Muitas coisas nós realmente não compreendemos, e ainda não estamos em condição de compreender. O conhecimento humano tem os seus limites, ao menos no nosso atual estágio de evolução. Porém, isso não significa nos envolvermos cegamente com qualquer coisa. A fé cega, em geral, traz muitos prejuízos às pessoas. E, atualmente, temos muitas possibilidades de estudar. O conhecimento está disponível para quem quiser nele se aprofundar.

Não é preciso termos pressa. O caminho da espiritualidade é um passo de cada vez, devagarinho. É necessário firmar as bases, antes de se aventurar nos pontos mais avançados. Firmar as bases: cultivarmos a moral, controlarmos nossos pensamentos, estudarmos as leis fundamentais do mundo espiritual. Se fizermos isso nessa vida, essa encarnação já valeu a pena.