espiritualidade

A espiritualidade não nos torna superior aos outros

É comum, quando iniciamos a nossa caminhada em algumas denominações espirituais, ouvirmos que para evoluir é necessário primeiro estudar e fazer a tal da reforma íntima. No entanto, é mais comum ainda o ingresso nessas denominações resultar numa postura petulante que inferioriza sistematicamente o próximo.

Nesta equivocada postura, a humanidade é dividida entre os muitos chamados e os poucos escolhidos, e o indivíduo, convicto em sua arrogância, crê fazer parte de um grupo seleto de pessoas “evoluídas”. Usando jargões típicos como “irmãos”, “irmãozinhos”, “companheiros”, “colega”, os mais diferentes julgamentos morais são proferidos acerca daqueles que eles acreditam estar em menor vibração e não fazem parte de sua “panelinha”.

O estudo, em vez de ser buscado enquanto uma ferramenta que possibilite nossa compreensão da existência humana e espiritual e que fundamente nossa prática no sentido de avançarmos os degraus na senda da espiritualidade, torna-se um instrumento de autoafirmação e competitividade. É a difusão da postura do “eu sei”, “eu sou”, “eu posso”. E aqueles que não possuem o vocabulário refinado e o conhecimento teórico para entender o que está sendo dito é marcado como “menos”, “inferior”, “novato”. O saber torna-se um meio de hierarquizar e separar grupos. Aqueles que têm a si mesmos como “mais evoluídos”, vivenciando entre os diferentes grupos físicos e virtuais uma verdadeira bajulação coletiva, de um lado; e aqueles associados como “menos evoluídos”, tentando, de alguma forma, sobreviver e dar sentido aos problemas concretos que suas programações cármicas lhes confiaram, do outro.

De forma semelhante, infelizmente, a busca pela reforma íntima, a autotransformação interna, em vez de se constituir num objetivo diário e contínuo, nunca plenamente encerrado, tem sua finalidade desvirtuada. Transforma-se numa silenciosa competição em que se almeja ser PRESENCIADO o maior número possível de vezes “sendo humilde”, “demonstrando amor”, “agradecendo ao Universo”, “sorridente”, entre outras manifestações exteriores do que é comumente considerado típico de uma pessoa “evoluída”.

É necessário, neste caso, mais compreensão aos novos aprendizes nos múltiplos campos da espiritualidade, os quais, preenchidos por uma intensa ansiedade, acabam, muitas vezes inconscientemente, tentando ser e parecer o que ainda não são.

O amadurecimento espiritual é uma jornada longa, a passo lento, a qual não se pode pular etapas. O tempo e a experiência são necessários, pois são eles que solidificam e interiorizam aquilo que nossa mente e nosso coração mais elevados almejam. Há muita coisa a ser lidada, resolvida, trabalhada e acertada no meio do caminho.

É realmente compreensível que nossa mente, há tantos séculos habituada a olhar o próximo com desdém e criticismo, encontre dificuldades para não julgar de imediato. No entanto, fazer deste julgamento a centralidade daquilo que chamamos “espiritual”, é ir em direção contrária à Luz.

Que façamos um autoexame profundo e analisemos se o mal que vemos no outro não é também o mal que há em nós. Cheguemos a compreensão que somos todos criaturas em evolução, expressão individual do Divino, e que isso iguala a todos nós. Que não há como, em nossa atual condição espiritual, cobrarmos a perfeição de nós e nem dos nossos próximos.

A espiritualidade deve buscar o amor. O amor verdadeiro, misterioso, sincero, que de alguma forma brota no decorrer de nossa caminhada.

A espiritualidade é para amar!

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7 comentários em “A espiritualidade não nos torna superior aos outros

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